Zeitgeist
A vida é como uma viagem no parque de diversões.
E quando optas por viajar, julgas ser real, pois é o quanto poderosas as nossas mentes são.
Na viagem você sobe e desce, anda em círculos, tem emoções fortes e é muito brilhante e colorida. Há muito barulho e é divertido por um bocado. Alguns viajam há muito tempo e começam a questionar: Será isto real? Ou é apenas uma viagem? E outros lembram-se, viram-se para nós e dizem: “Ei, não se preocupe, não tenha medo, nunca. Isso é só uma voltinha”
E matamos essas pessoas. Calem-no! Investi muito nesta viagem, calem-no!
Olhem para a minha cara de chateado. Olhem para a minha conta bancária, olhem para a minha família, isto tem que ser real…
É só uma voltinha. Mas matamos sempre aquelas boas pessoas que sempre te têm dito, já reparou?
E nos deixamos entregar à bicharada… Mas não importa, porque é só uma viagem.
E podemos mudá-la sempre que quisermos. É apenas uma escolha. Sem esforço, sem trabalho, sem profissão, sem popanças. Só uma escolha agora mesmo.
Entre o medo e o amor.
Às vezes a gente fica stressada (a), se preocupa com coisas pequenas tipo a fila do metrô, com o dinheiro curto e todas essas frivolidades do dia a dia. Às vezes a gente fica cansada (o) da vida, do trabalho, dos estudos, dos parentes e amigos. Às vezes a gente deixa de dar um sorriso, às vezes a gente tem vergonha do que faz,medo do amanhã… Deixamos de fazer várias coisas por puro comodismo ou até mesmo receio do que os outros vão pensar… E aí, chega a vida e te dá um soco no estômago. Chega um caminhão na contra-mão, que você se assusta e desvia e acorda. Acorda pruma vida que você, com tantos problemas e pensamentos, esquece. A gente se esquece das coisas mais simples, AS MAIS SIMPLES E IMPORTANTES. É uma sensação inexplicável, e é triste que esse tipo de realização só acontece nos piores momentos. Sem mais delongas, o que eu quero dizer é aquele velho clichê, a vida é só uma MESMO, portanto, vamos ser um pouquinho mais justos com nós mesmos e com os outros, mais sinceridade e menos mimetismos, mais sorrisos do que cara feia. Como você quer ser lembrado, se amanhã acontecer alguma coisa? Você sabe quem ficará do seu lado, aconteça o que acontecer? Se sua resposta for não, reveja sua vida e começe a cultivar. Atitudes simples fazem toda a diferença. A inércia é a mais dolorosa das atitudes e causa um arrependimento fudido posto que nada é para sempre. Se questione, mude, não tenha medo de falar. Por que quando tudo ruir, você vai precisar ter o coração firme. Mas só depende de você.
Só porque hoje estou um pouco F.Y
“Não há nada o que fazer, nem o que pensar
neste lugar, nesta casa de loucos,
neste enlatado de hipocrisia.
Eu, um mortal besta,
utilmente mutilado pelos fatos,
toturado pelas batedeiras,
encurralado pelos medos e inseguranças.
Tomando chá de rosas,
sentando como um deus.
Convencido e narcisista
como um semideus.
Sorrindo à sobrevivência,
analisando o passado com uma calma anormal,
a própria histeria invertida.
Pousando a mão sobre a cabeça
com ares de sabedoria
e chorando às escondidas no banheiro,
me punindo em frente ao espelho,
enxugando as lágrimas,
passando um batom
e indiferente ao detalhe
do chá não estar mais quente.
Sou eu,
o maior dos bobos e covardes.
Destruindo com calma meus neurônios,
sufocando a minha alma com as vestes,
lavando meu corpo com perfume.
Estupidamente infame a mim mesma,
estupidamente consciente das coisas que faço
estupidamente insistente em não sair do quarto
e continuar ouvindo:
” Tu és uma égua!”
Ao som de fundo
Sebastian Bach“
Fernanda Young.
Trânsito em julgado.
Hoje eu saí de lá querendo não ter que sair, queria poder ficar, queria olhar mais, tocar, queria. Tive que ir. Tive que sincronizar a respiração com o andar, para poder andar sem pressa. Precisei me segurar. “Sem pressa” – ela pensa… Você sabe o que acontece quando faz as coisas com pressa… Mas a vontade é uma palavra sedenta, que sempre está com fome e que pede gritando! Nada como a embriaguez mental, aquela natural, aquela inevitável, porém mascarável, que a gente esconde por charme, por medo. Medo. Ele me acompanha sempre, me come todo dia.
Estou do avesso, saindo da mão única, estacionando em fila dupla, no caos.
15/01/2008
Finalmente o ônibus dela chega. Já estava cansada de esperar ali, com frio e já no seu segundo cigarro. Tinha o dinheiro contado no bolso mas se atrapalhara do mesmo jeito. Ela sente todos os olhares voltados para si, interessados e ao mesmo tempo indiferentes. É o que ela sempre sente ao entrar num ônibus.
O ônibus não estava lá tão cheio, era possível escolher um lugar a seu gosto. E ela se sentou na quarta fileira a esquerda, no corredor. Sempre sentava no corredor, sentia-se sufocada se não o fizesse. Mas nos primeiros cinco segundos após ter se situado, sentiu seu tórax afundar até a coluna e sua garganta num súbito se contraiu o máximo que pode. Um perfume que ela sabia de onde, invadiu suas narinas. Até que ouviu seu nome.
- Oi, você… – ela disse
- Pois é, tudo bem? – disse ele num tom emplgado
- Tudo e você?
- Tudo bem.
Silêncio
As sensações haviam dado trégua, mas ela e seus músculos ainda estavam adormecidos. Ela estava com aquela sensação, com aquela turbulência de antigamente. Como pode, ela pensava, voltar tudo isso desse jeito, como se ela estivesse numa gavetinha cheia de bilhetes, cheiros e músicas e de repente ela se escancara tão bruscamente. ” Queria estar preparada, achei estar preparada!” pensou ela.
- E aí, o que tem feito? – perguntou ele.
- O mesmo de sempre. E você, os mesmos costumes?
- Quase todos
O maço de cigarro dela estava a mostra em sua bolsa.
- Pelo que vejo ainda fuma.
- Você parou? – perguntou surpresa
- Há um ano.
- Nossa, parabéns!
Ela percebeu o tom cínico de suas congratulações. Afinal, se sentiu a última das criaturas, eles sempre fumavam quando estavam juntos. Ele usou de um tom que se fez parecer mais forte que ela. ” Ele quer se mostrar superior a mim” , pensou, “usando esse artifício para mostrar que não existe uma migalha de mim nele”. Ficou com medo de sua aparência começar a ficar carrancuda e com um ar de paranóica e tentou puxar um assunto. Travou.
Ele a deixava doente, ela chegou a essa conclusão. Ele é seu ponto fraco, a consciência dela falou. Mas ela ia de encontro a isso, com muto custo aniquilou tudo que se referia a ele dentro de si. Parou de ouvir as músicas, parou de achar pontos na cidade e ocasiões que lembravam ele. Parou de escrever, de achar nos livros histórias e poemas que se encaixavam em sua história juntos.
- Eu te odeio! – gritou ela, assustando os passageiros e até a si mesma.
Ele olhou com os olhos que ela conhecia muit bem, nas conversas intermináveis e interminadas que tinham antigamente.
- Juro, juro ser uma pessoa forte, e até que sou bem legal! A maioria das pessoas gostam de mim. Eu sou inteligente a ponto de te entender. Não gostaria de ter você comigo, mas… MERDA! Mas algo aqui dentro grita por você. Mas eu não quero você! NÃO QUERO!
Ele abaixou a cabeça, como que se sentindo culpado. Passava a mão na perna compulsivamente. Em contratempo ela tremia.
- Você é um imbecil! Não posso nunca mais te ver.
Num súbito, levantou e apertou a campainha. Sentia que ia se esfarelar ali mesmo. Adoraria que isso acontecesse aliás. Desceu do ônibus.
E quando olhou a sua volta, percebeu que havia pegado o ônibus errado.
15/07/2007
Quem é esse artista? Quem é esse artista que me pinta, que me escreve, que me entrega ao mundo com sua obra?
Ele traduz em palavras a minha pessoa. Ele faz arte, ele me pinta por inteiro. Em pequenas imagens, graúdas de mim. Me expõe nua e não me deixa envergonhada. Diz do meu mdo, me dá o seu conselho.
Conta de sua visão sob mim, e o que escuto é a mesma coisa que vejo no espelho. Ele é apaixonado pelo amor, e eu pela fuga.
Ele é o artista que me conhece pelo avesso.
Hoje vai bastar uma frase.

“Se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas, o mundo estaria salvo”
Nelson Rodrigues
Não cobre de mim ser existente…
Até porque o homem precisa unicamente de uma vontade independente, custe o que custar essa independência e leve aonde levar. Bem, o diabo sabe o que é essa vontade.
Muitas citações serão vistas por aqui, como esta acima. Não teria nunca o brilho de escrever essas linhas. Quem sabe na outra encarnação! Às vezes o absurdo completo acontece.
Falando sobre vontades, ontem estava com uma vontade enorme de alguma coisa que não sabia o que era. Para não me sentir frustrada, sabendo que nunca saberia o que era, me convenci de que a vontade que eu sentia era de comer quindim. Como gosto de me enganar. É evidente que não me movi pra comprar um quindim.
A verdade é que a vontade era muito mais séria que um mero doce. Vontade mascarada de quindim. Ridículo.
Falando sério agora, a vontade, a tal vontade me deixou sem ar, deixou minha garganta como se estivesse envolvida numa bolha. Não era vontade de falar…